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Considerações sobre a Técnica Vocal de Metal e Hard

Recebo emails com perguntas sobre canto, e com frequência, quem me escreve são cantores de Metal com dúvidas semelhantes.
A Técnica Vocal de Metal é uma das mais trabalhadas pois abrange um largo espectro de técnicas e os problemas mais frequentes se encontram nas transições de posicionamento.
Não há muito material educativo disponível para pesquisa como os que existem para outros estilos, a maioria dos cantores teve que aprender certas coisas na base do auto-didatismo aplicando uma mistura de técnicas. Aqui listo considerações que aprendi na marra fazendo e que considero fundamentais;

- A Escolha de tonalidade no Metal é delicada; as áreas de transição entre voz de cabeça e peito são curtas,
e as áreas de explosão interpretativa da canção precisam casar com as do cantor.
 Isso significa que um tom ou semitom de alteração na tonalidade pode ser a diferença entre uma performance arrebatadora e uma sem graça. Se algo não está funcionando, Experimente mudar tonalidades em casa.Converse com sua banda, explique o que está acontecendo e negocie isso.


- Área de extenssão vocal não é a mesma coisa que tessitura; Existe um conjunto de notas em que a interpretação rende (tessitura), independente de quantas oitavas você consegue reproduzir notas. Isso vale para qualquer estilo musical, mas no metal a tessitura é mais curta do que no lírico ou na bossa nova, por exemplo; justamente por causa das transições técnicas.


- Caracterização vocal é tão particular quanto aparência física;
Algumas vozes são mais pesadas por natureza e tem corpo e agressividade, e pouca tendência para desenvolver a leveza de agudos. Outras são ágeis, fazem ornamentos complicados, brilham nos agudos mas perdem força no peso e custam a desenvolver a agressividade. Saiba que tipo é a sua, aceite suas características orgânicas e aprenda a utilizar seus pontos fortes.

- Saber a diferença entre o que você pode desenvolver tecnicamente e o que é orgânico pode levar tempo. Explorar repertórios variados ajuda, e exercícios técnicos são importantes também. Se você tiver um professor, peça variedade- ligatto, stacatto, arpejos, respiratórios, exercícios de lírico, de belting, tudo!
Exercíos de transição de posicionamento são fundamentais.
Observe o que você tem tendência a fazer melhor e invista nisso.

- O Drive é uma técnica que se caracteriza num esforço para alcançar uma nota. Se você conhece sua voz bem, vai saber em que altura cabe fazer isso. Uma das formas corretas de fazê-lo é com um ataque súbito de diafragma e movimento do palato e nunca com a garganta.
Você pode usar a garganta na hora de gravar, mas se fizer isso ao vivo, vai queimar sua voz rapidamente e cantar mal o resto do show.
Como parte do esforço de ataque, quanto mais grave for a tessitura, mais tendência a desenvolver esta técnica que caracteriza agressividade.

- Se não tem nenhum professor na sua cidade que ensine técnica de Rock, opte por um professor de canto Lírico, como fizeram André Matos e Annie Haslam.

- Nas palavras de Nelson Motta, "As vezes o Cantor gosta da Música, mas a música não gosta do Cantor"
Isso nada mais é do que escolher canções que você tenha tendência a cantar bem, e deixar outras canções para outros vocalistas.

É isso aí.

Vou iniciar uma série de postagens com entrevistas, em que cantores responderão perguntas sobre interpretação, estilo e técnica Vocal.
Aguarde!

5 comentários:

  1. Muito bom Ana,eu não explicaria melhor.

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  2. Parabéns , menina... Curtí ..;)

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  3. Olá,me ajudou bastante com essa dica das bexigas,parabéns!
    Gostaria de resolver uma dúvida com vc.Vc pode me dizer se o formato do pescoço,fechamento glóteo,tem alguma relação com timbres,pois o meu é meio traingular,e as vezes, sinto que o ar bate contra a garganta(como se não saisse)aí tenho que forçar um pouco como se o ar que chega na garganta,ficasse reduzido e isso me deixa rouco já na 3° música(não sou profissional,mas tenho um sonho à realizar de chegar aí)...já agradeço a atenção! Bj

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    Respostas
    1. Caro amigo, pelo que entendi da sua descrição, o que pode estar rolando é que o drive esteja caindo na garganta (rasgado acontecendo através do atrito das pregas vocais, o que faz com que elas inchem= rouquidão)

      Outra possibilidade é que você esteja forçando as cordas vocais para amplificar o volume (o que é comum de acontecer especialmente quando se está ensaiando em estúdio com a banda e não é possível se ouvir direito, outro exemplo frequente disso é quando se conversa em um bar barulhento), quando a amplificação de volume vocal é mais eficiente usando a ressonância craniana.

      Quanto à questão do fôlego, recomendo imprimir as letras das músicas e marcar locais convenientes para as respirações frequentes, procurando discipliná-las para que nenhum verso seja cantado com pouca energia. Pode parecer besteira, mas esta medida ajuda muito na interpretação.

      Obrigada pelo comentário,
      espero ter te ajudado com esta resposta!
      Bjss!

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  4. Olá Ana! Achei seu blog no Google e achei incrível! Acabei de entrar para uma banda de rock e preciso dessas nuances que vc citou. Minha voz está muito linear (cantei muito mpb) e por conta disso preciso trabalhar essas nuances na voz para as músicas terem a nuance e agressividade que precisam! Tem algum exercício ou técnica que possa me ajudar?? Obrigada!!!!

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Comentários