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Blank Page por Mila Monteiro

Blank Page (Christina Aguilera)
Voz: Mila Monteiro
Piano: Ana Clara Lima

Julho de 2016
ao Vivo no Teatro Natália Timberg, Rio de JAneiro,
Showcase Centro Musical Antonio Adolfo.

Para mais Vídeos de meus pupilos cantando, clique no link:
 www.youtube.com/limaalunos

Dúvidas Frequentes: Eu costumava alcançar estas notas no tom original, mas não alcanço mais. O que houve?

As causas mais comuns desta reclamação, são:

1.Se você tem menos de 25 anos, provavelmente as mudanças hormonais estão modificando sua área de transição para o grave. mudanças de naipe ocorrem velozmente, sobretudo na fase de puberdade.
A vozes femininas encerram a mudança brusca um pouco depois das primeiras menstruações, e as masculinas costumam mudar bruscamente até os vinte e poucos anos.
Já vi casos em minha classe, de meninas mudarem de classificação de soprano para mezzo em um semestre, o de meninos mudarem de barítono para baixo em um semestre, ou um ano. O caso mais radical que vi, foi uma aluna minha, na época com 11 anos, que teve sua transição modificada em um tom e meio em 4 meses. Estávamos preparando uma música para apresentação, que iniciou os ensaios no tom de Fa# e foi apresentada em Eb. Isso não significa que a pessoa está perdendo o alcance de agudos, mas que os encaixes nas regiões sofreram modificações pela mudança de voz. A solução apropriada seria mudar a tonalidade para recuperar os encaixes, ou reestudar a música no tom anterior reestabelecendo os encaixes dos apoios como se estivesse estudando uma nova música. Apoiar as notas como de costume adaptado para uma voz que antes estava mais aguda em transição, pode não funcionar, resultando em desafinação, problemas na respiração, desgaste, etc. Se você se identificou com esta razão, Crie o hábito de anotar nas folhas das letras, a tonalidade e a data em que você estudou a música. Isso irá poupar a perda de tempo e o desgaste emocional no futuro.

2.Se você é mais velho do que isto, a sua voz também pode ter mudado. Um adulto não muda em um tom a transição dentro de um ano, mas pode mudar em 10 ou 15 anos.
Cantores experientes como Dio e David Coverdale, sempre souberam disso e portanto alteram a tonalidade das músicas ao vivo, sobretudo de músicas que foram gravadas há mais de 20 anos.
Vozes escuras e pesadas se modificam muito mais com a idade do que vozes leves e claras, e isso explica porque é que o Coverdale muda os Tons e o Steven Tyler não.
A mudança por idade também confere mais peso e corpo ao grave e isso facilita a aplicação de agressividade e rasgados.
No caso das mulheres, a fase de gravidez pode mudar a voz de forma acelerada. Lembro de meu professor de faculdade, Ricardo Tuttmann, me contando sobre cantoras que eram lírico ligeiro e tiveram que mudar de repertório para soprano lírico por conta das mudanças hormonais. No meu caso, tenho 2 filhos, minha transição desceu um semitom na primeira gravidez e mais um na segunda. Isso significa que uma música que eu cantava no tom original antes, agora faço um tom abaixo para encaixar corretamente. Na maioria dos casos dá pra sobreviver cantando no tom anterior, mas muitas vezes isso pode soar estridente e forçado.

3.A musculatura está mais flácida do que antes.
Assim como um atleta que parou de treinar pode sofrer para correr uma maratona, uma pessoa que costumava ter uma rotina de aulas e ensaios e está cantando só no chuveiro há tempos, vai se cansar ou pifar nos extremos. Exercícios e prática vão retomar aos poucos a musculatura.

4. Faltou Aquecimento antes de cantar.
Esperar um rendimento esplêndido sem aquecer ao menos por 5 ou 10 minutos antes é o equivalente a esperar que um feijão cru tenha o mesmo gosto do Feijão da mamãe.

5.O cantor precisa de manutenção ou descanso.
Estar mal dormido, mal alimentado, com a voz desgastada por gritar e falar demais, etc é o equivalente a tocar uma guitarra com cordas velhas ou o braço empenado.

6. Ingestão de Comidas que encatarram ou ressecam o aparelho fonador:
Isso depende muito da pessoa. Existem desde os extremos de cantores que bebem, fumam, tomam laticínios e não se abalam com absolutamente nada até os super sensíveis que precisam policiar a alimentação horas antes e todas as nuances entre um e outro. Interessa observar durante os estudos e ensaios, o que afeta seu corpo e instrumento, para não ser surpreendido com uma desafinada ou engasgada inesperada no meio de uma interpretação.
Para ler mais sobre os principais alimentos que podem encatarrar ou ressecar o aparelho fonador, confira o post Alimentos a Evitar Antes de Cantar.

Dúvidas Frequentes: Qual é o meu tom?



É importante entender que a Escolha da tonalidade apropriada não funciona de forma padronizada tal qual um número de sapato.
Depende da construção da canção escolhida (uma canção em Dó pode ter a linha pautada na tônica Dó, enquanto uma outra na mesma tonalidade pode ser pautada na 5ª G,colocando as linhas vocais em regiões muito diferentes). Depende do tipo de voz,  da experiência do cantor, principalmente da região em que voz faz a transição de peito para a cabeça e do alcance que a canção demanda. 

Algumas canções tem escolha de tonalidade mais simples e fáceis de identificar, por possuírem espectro curto,ou por serem todas pautadas numa só região (peito, cabeça ou 3ª camada). Outras, possuem um espectro mais largo de notas e isso vai demandar um encaixe e caimento apropriado de cada estrofe em uma região vocal,para que a interpretação tenha melhor rendimento e para que possam ser usados todos os recursos  interpretativos dos quais o cantor dispõe. Um cantor experiente pode saber se adaptar  para cantar uma canção numa tonalidade que não esteja apropriada para ele e cantá-la afinada e corretamente, mas isso não significa que será possível  dar o melhor de si em termos de recursos técnicos.   

Alguns cantores possuem a transição mais flexível que outros,  isso é uma condição mais fisiológica do que dependente de treinamento. Pedir para um cantor adaptar-se à tonalidade de uma música ou outra pode funcionar, mas vale a pena moderar no numero de músicas  para não forçar a barra e correr o risco de queimar a voz do cantor no meio da apresentação, ou de apresentar um trabalho em que o vocalista não tem a oportunidade de usar todos os seus recursos e qualificações técnicas, e de dar seu melhor ao público. A Escolha caprichada das tonalidades vai fazer com que o cantor tenha o rendimento interpretativo prolongado, e uma canção bem interpretada sempre empolga mais a plateia.

E você, qual a sua dúvida? Escreva para clara.lima22@hotmail.com 
que ela pode aparecer aqui.


Minhas Pupilas Gabi, Luiza e Clara Cantando no showcase. Foto: Alexadre Moreira.

Dúvidas Frequentes de Canto: Classificação x Alcance e Respiração ao vivo.



Recebo às vezes, e-mails com dúvidas referentes ao canto, e nem sempre é possível responder às perguntas sem ouvir a voz da pessoa para diagnosticar o que quer que esteja rolando ali. Escolhi aqui, algumas que podem ser respondidas independentemente disso e que são muito comuns em sala de aula.

- Fui classificado como Barítono,mas acredito que eu seja tenor.Pois consigo alcançar notas muito agudas e cantar cover de Skid Row no tom original,por exemplo, embora tenha dificuldade para encaixar o grave nesse tipo de música, mas sair sai.
Sebastian Back, Skid Row.

A classificação de naipe está relacionada à área em que a voz passa de voz de peito para voz de cabeça e com a tessitura, que é a área de conforto. A extenssão de alcance é outro fator distinto. Podemos ter um barítono e um tenor como mesmo alcance de espectro,porém a área de conforto e de passagem é que define a classificação vocal. Temos muitos barítonos famosos com alcance absurdamente agudo: James Labrie, Ozzy Osbourne, Bruce Dickinson, Geddy Lee e muitos outros. Se você for um barítono de alcance agudo como esses caras,o problema de cantar o Skid Row não vai ser o agudo,e sim a passagem de peito pra cabeça, que ficará desencaixada da região em que o Sebastian gravou, em relação à passagem dele na época da gravação. É mais provável que a voz trepide no grave do que falhe no agudo nesse caso. Cantar uma música em uma tonalidade que não está apropriada para sua voz é como usar um sapato apertado, ou largo.. Você pode ir ali rapidinho com o sapato, mas se sair pra fazer uma caminhada longa, vai começar a machucar e a graça da caminhada vai pro brejo. 



- Estou perdendo o ar quando canto ao vivo, e isso prejudica a colocação e a aplicação dos drives.

Joss Stone
Recomendo que Iprima a letra completa da música que está fazendo isso contigo e marque as respirações entre palavras. Assista a vídeos do artista cantando ao vivo,pois no estúdio muitas vezes as frases são gravadas sobrepostas.  (O artista já saiu em turnê e cantou aquela música muitas vezes, é possível que tenha encontrado soluções práticas) Atente para o corte de palavras que o artista faz ao vivo e se há backing vocals que alguém da sua banda possa preencher para tirar a sobrecarga do vocal e dar mais espaço para respirar e interpretar.  Leve a folha marcada pros ensaios até decorar a padronagem. Se mesmo assim estiver perdendo o ar, experimente outras tonalidades, pois pode ser um problema de encaixe das passagens.  No caso das mulheres; corpetes, sutiãns ou tops  apertados na caixa toráxica também podem fazer estrago,  o controle respiratório fica prejudicado com um elástico brigando com a movimentação da ossatura. ( na dúvida Experimente gravar um trecho cantando com e sem a peça apertada e compare).

A subestimada importância da movimentação do microfone; E sua relevância para a criação sonora do vocal ao vivo.

Há vários tipos de microfone para usos diversificados e o posicionamento varia conforme o tipo e o uso. Neste post vou falar do tipo mais utilizado ao vivo, o direcional, e da subestimada importância da sua operação consciente na criação do som vocal ao vivo.

Muitas vezes estamos num show em que o vocalista está cantando bem, mas algo do resultado saindo do PA perturba os ouvidos.. O equilíbrio, os gritos estridentes que estouram e outras coisas. Claro que a estrutura sonora e equipe de operação tem um papel fundamental nisso, mas independente da estrutura de equipamento da casa ou da experiência de quem opera a mesa de som, o cantor pode criar condições sonoras melhores se operar o microfone com consciência e incorporar isso como componente em sua performance vocal e criação sonora.

É importante notar que a captação sonora deste tipo de microfone, ocorre de maneira perpendicular, ou seja apontando para a boca em posição central e a 90o da posição do rosto. É nesta posição que o microfone está apto a capturar todas as nuances e texturas da voz, transmitindo-a da maneira mais fiel ao equipamento de som. Portanto quando o mic é posicionado acima ou abaixo do rosto, a voz tende a sair mais estridente e magra, e texturas como a umidade sonora e rasgados ficam mais apagados do som.

Outra coisa relevante é acompanhas as nuances de volume e textura com a movimentação de aproximação e afastamento do microfone do rosto: para cantar aquela parte mais intimista e sussurrada, o microfone deve estar mais perto da boca, e na hora dos gritos e agudos pontudos, deve ser afastado, porém em movimento razoavelmente suave, pois os movimentos bruscos fazem o vocal sumir. A aproximação e afastamento sempre respeitando a posição perpendicular para que  a captação seja plena e capte todas a s nuances interpretativas. Quanto à posição perpendicular, vale lembrar que a perda de textura funciona em padrão cônico, ou seja, quanto mais distante do centro do alinhamento, maior a perda de qualidade sonora.

Para ilustrar as idéias explicadas aqui, selecionei alguns vídeos de cantores que considero mestres da operação de microfone e outros exemplos, em performances que ilustram claramente estas movimentações. Bom estudo!


Bruce Dickinson


Christina Aguilera
 

Neste caso, observar Ann Wilson


Outro Exemplo bacana, vale observar tanto Gotye quanto Kimbra